Faz muito tempo que não escrevo nada remotamente semelhante a uma história, as únicas coisas que escrevi várias vezes foram redações no modelo do Enem. É difícil pra mim e sei que não ficou lá tão bom, queria escrever uma história sobre como Prometeu depois de muito tempo preso na pedra aprendeu a ver a águia como uma companhia bem vinda que libertava ele do tédio de todas as outras coisas enquanto cavucava sua barriga depois de ter uma conversa sobre como toda a moral da águia ir embora a noite e o corpo dele regenerar é que dor que dói sempre para de importar com o tempo e talvez a águia tirasse um pouco da atenção dele da completa solidão. Não consegui ir mais pra longe na linha do tempo que o primeiro dia na pedra e acabou ficando assim:
Sua primeira surpresa foi o choque gelado das correntes, como rapidamente se tornou agradável o frescor do metal no dia quente, sua carne fervendo o suor e a força do seu próprio cheiro. O sol castigava o corpo nu acorrentado na pedra mais alta de frente para o oceano. O som do vento e das ondas, tão alto e constante que logo pareceu silêncio, foi cortado pelo grito agudo do animal que trazia de cima o alívio da sombra.
Chegou ressabiado, apesar de grande não era maior que sua presa e temia o risco da empreitada. A dor da tímida bicada que lhe abriu o abdômen fez retornar sua presença, sentiu com ela a dor do sol, do vento e do mar novamente. O choque da carne dilacerada se espalhava pelo corpo em ondas a cada novo ataque, sentiu tudo sem controlar nada, e quando a dor finalmente permitia o desmaio era logo acordado pelos movimentos do animal que chafurdava cada vez mais fundo e mais rápido.
Não sabe quanto tempo durou, percebeu o sol se pondo quando o viu voar para longe, o som do mar e do vento o embalaram para surpreendente calma. Não conseguia pensar sobre como se sentira antes, a única sensação recordada além do desespero foi uma breve frustração ao perceber que mesmo coberto de vômito o animal não recuava. O som dos gritos era a única coisa de si que conseguiu evocar do momento, não lembrava quando havia parado de gritar mas agora já não conseguia emitir som. Se perguntou como estava sua aparência e percebeu as grossas lacerações das correntes em seus braços e pernas, o vento levava o cheiro de sangue, o mar cantava, nada podia ser feito. Prometeu dormiu.
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