Comecei a ler coisas sobre o islamismo e o que começou como uma curiosidade de uma religião que me parecia fazer mais sentido que a católica acabou se transformando em uma exploração de ideias que ressoam muito fortemente com coisas que parecem já existir no fundo de mim, gosto de ler sobre religiões apesar de me considerar agnóstica mas até hoje nenhuma tinha feito tanto sentido, ler e ouvir as histórias faz sentir um senso de propósito e sentido que me faltou grande parte da vida, tenho sentido que o mundo é mais bonito e que tenho mais dignidade e leveza no coração. Fiz um casaco de crochê de presente para minha sogra e gostei muito do resultado, meu noivo é um modelo maravilhoso e valorizou muito meu trabalho.
sexta-feira, 27 de março de 2026
Crochê me faz feliz
quarta-feira, 18 de março de 2026
Tentei escrever uma história
Faz muito tempo que não escrevo nada remotamente semelhante a uma história, as únicas coisas que escrevi várias vezes foram redações no modelo do Enem. É difícil pra mim e sei que não ficou lá tão bom, queria escrever uma história sobre como Prometeu depois de muito tempo preso na pedra aprendeu a ver a águia como uma companhia bem vinda que libertava ele do tédio de todas as outras coisas enquanto cavucava sua barriga depois de ter uma conversa sobre como toda a moral da águia ir embora a noite e o corpo dele regenerar é que dor que dói sempre para de importar com o tempo e talvez a águia tirasse um pouco da atenção dele da completa solidão. Não consegui ir mais pra longe na linha do tempo que o primeiro dia na pedra e acabou ficando assim:
Sua primeira surpresa foi o choque gelado das correntes, como rapidamente se tornou agradável o frescor do metal no dia quente, sua carne fervendo o suor e a força do seu próprio cheiro. O sol castigava o corpo nu acorrentado na pedra mais alta de frente para o oceano. O som do vento e das ondas, tão alto e constante que logo pareceu silêncio, foi cortado pelo grito agudo do animal que trazia de cima o alívio da sombra.
Chegou ressabiado, apesar de grande não era maior que sua presa e temia o risco da empreitada. A dor da tímida bicada que lhe abriu o abdômen fez retornar sua presença, sentiu com ela a dor do sol, do vento e do mar novamente. O choque da carne dilacerada se espalhava pelo corpo em ondas a cada novo ataque, sentiu tudo sem controlar nada, e quando a dor finalmente permitia o desmaio era logo acordado pelos movimentos do animal que chafurdava cada vez mais fundo e mais rápido.
Não sabe quanto tempo durou, percebeu o sol se pondo quando o viu voar para longe, o som do mar e do vento o embalaram para surpreendente calma. Não conseguia pensar sobre como se sentira antes, a única sensação recordada além do desespero foi uma breve frustração ao perceber que mesmo coberto de vômito o animal não recuava. O som dos gritos era a única coisa de si que conseguiu evocar do momento, não lembrava quando havia parado de gritar mas agora já não conseguia emitir som. Se perguntou como estava sua aparência e percebeu as grossas lacerações das correntes em seus braços e pernas, o vento levava o cheiro de sangue, o mar cantava, nada podia ser feito. Prometeu dormiu.
sexta-feira, 6 de março de 2026
É difícil e estranho tentar botar dentro da própria cabeça que se é um ser humano que tem valor quando todo mundo no meu círculo social ganha pelo menos 40 reais por hora trabalhada. Me ensinaram na escola que valor e preço são coisas equivalentes e se ninguém quer comprar o que eu faço então o que eu faço não tem valor então eu também não tenho. Me faz bem fazer coisas, gostei muito de fazer esses bichinhos de crochê, o rato está a venda, mas tenho muita vergonha de anunciar isso nos lugares. Ele chama Guei, o dinossauro chama Triceratops e é um presente pra minha mãe.
